



Grota do Angico: história do fim de Lampião e Maria Bonita
A Grota do Angico, também conhecida como Gruta do Angico, é um dos lugares históricos mais importantes do sertão de Sergipe. Foi nesse local, às margens do Rio São Francisco, que Lampião, Maria Bonita e outros integrantes do bando foram mortos em 28 de julho de 1938, em uma emboscada realizada por uma força policial de Alagoas.
Localizada na região dos municípios de Poço Redondo e Canindé de São Francisco, a Grota do Angico faz parte atualmente do Monumento Natural Grota do Angico, uma área protegida de Caatinga e um dos pontos visitados durante a tradicional Rota do Cangaço.
Além de sua importância histórica, o lugar chama atenção pela paisagem do sertão, pela vegetação da Caatinga e pela proximidade com o Rio São Francisco. A visita permite conhecer um dos capítulos mais marcantes da história do cangaço nordestino.
Onde fica a Grota do Angico
A Grota do Angico está localizada no sertão de Sergipe, na região de Poço Redondo, próxima à divisa com Canindé de São Francisco.
O local integra uma área de preservação criada pelo Governo de Sergipe. O Monumento Natural Grota do Angico foi instituído em 2007 e protege uma área de aproximadamente 2.221 hectares de Caatinga.
A região também possui importância geológica. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, a grota corresponde a uma cabeceira de drenagem de um pequeno riacho que deságua no Rio São Francisco, localizado a cerca de um quilômetro do local.
O que aconteceu na Grota do Angico
Na madrugada de 28 de julho de 1938, o esconderijo de Lampião foi surpreendido por uma força policial comandada pelo tenente João Bezerra da Silva, da polícia de Alagoas.
O bando havia acampado na região da Fazenda Angicos no dia anterior. Lampião considerava aquele local bastante seguro, mas a polícia conseguiu descobrir a localização do grupo e preparar uma operação de surpresa.
O ataque aconteceu nas primeiras horas da manhã. Os policiais se aproximaram da grota e abriram fogo contra os cangaceiros, dando início a um combate que, segundo informações do Governo de Sergipe, durou aproximadamente dez minutos.
A surpresa foi decisiva. Lampião e parte de seu grupo foram mortos antes que pudessem organizar uma reação efetiva.
Como a polícia descobriu o esconderijo de Lampião
Um dos episódios mais controversos da história de Angico envolve os coiteiros, pessoas que ajudavam os cangaceiros fornecendo alimentos, informações ou abrigo.
Pedro de Cândido, ligado à região e aos cangaceiros, tornou-se um dos personagens centrais dessa história. Existem diferentes versões sobre as circunstâncias que levaram a polícia até o esconderijo.
Alguns relatos afirmam que Pedro de Cândido foi capturado e torturado pela polícia, sendo obrigado a revelar a localização do bando. Essa versão aparece inclusive em pesquisas e relatos de memória sobre o cangaço.
Outras interpretações questionam a ideia de que ele simplesmente tenha sido um traidor e apontam diferentes personagens e circunstâncias na descoberta do esconderijo. Por isso, é mais correto apresentar o episódio como uma questão histórica controversa, em vez de afirmar uma única versão como fato absoluto.
A morte de Lampião e Maria Bonita
Entre os mortos estavam Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e sua companheira Maria Bonita.
Também morreram outros integrantes do grupo. Registros da Biblioteca Nacional citados pela Brasiliana Fotográfica identificam, além do casal, Alecrim, Colchete, Elétrico, Enedina, Luís Pedro, Macela, Mergulhão, Moeda e Quinta-Feira.
Ao todo, 11 integrantes do bando morreram na emboscada, sendo Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros. O Serviço Geológico do Brasil também registra a Grota do Angico como o local onde Lampião e Maria Bonita, juntamente com outros membros do grupo, foram mortos em 1938.
Quem sobreviveu ao ataque
Nem todo o bando estava na Grota do Angico naquele momento.
Entre os sobreviventes estava Corisco, um dos principais companheiros de Lampião, que não se encontrava no acampamento durante o ataque. A Fundação Joaquim Nabuco registra que Corisco e Dadá estavam longe dali, na Fazenda Emendada, em Alagoas.
Outros cangaceiros também conseguiram escapar durante o combate e posteriormente seguiram caminhos diferentes.
A morte de Lampião representou um golpe decisivo para o cangaço, embora o fenômeno não tenha desaparecido imediatamente.
A exposição das cabeças dos cangaceiros
Depois do combate, os corpos dos mortos foram decapitados e as cabeças foram levadas pelas forças policiais.
O objetivo das autoridades era comprovar a morte de Lampião e dos demais integrantes do grupo. As cabeças foram levadas inicialmente para Piranhas, em Alagoas, onde foram expostas publicamente, e posteriormente seguiram para outras localidades até chegarem a Salvador.
Em Salvador, os restos mortais permaneceram associados às coleções médico-legais e ficaram expostos durante décadas. A exposição provocou debates sobre o tratamento dado aos restos mortais dos cangaceiros.
Somente em 1969, mais de 30 anos depois da morte de Lampião, as cabeças de Lampião e Maria Bonita foram finalmente sepultadas. Os demais integrantes tiveram seus restos mortais sepultados posteriormente.
O Estado Novo e o fim do cangaço
O massacre de Angico aconteceu durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, iniciado em 1937. Nesse período, o governo central adotou uma postura mais rígida contra grupos considerados ameaças à ordem pública.
Entretanto, é importante evitar uma explicação simplificada segundo a qual o Estado Novo teria sido sozinho responsável pela morte de Lampião ou pelo desaparecimento do cangaço.
Pesquisas acadêmicas apontam que a relação entre o Estado Novo, a morte de Lampião e o fim do cangaço é mais complexa. Mudanças sociais, econômicas, territoriais e nas próprias condições de sobrevivência dos grupos também tiveram papel importante.
A morte de Lampião, porém, foi um marco fundamental e acelerou o enfraquecimento do cangaço.
A importância histórica da Grota do Angico
Atualmente, a Grota do Angico é muito mais do que o cenário de um combate histórico.
O local reúne elementos de história, cultura, natureza e turismo, sendo considerado um importante patrimônio relacionado à memória do cangaço em Sergipe.
A área está protegida pelo Monumento Natural Grota do Angico, que preserva parte significativa da vegetação da Caatinga e possui estrutura voltada para pesquisa, educação ambiental e ecoturismo.
A trilha até o local permite ao visitante conhecer a paisagem sertaneja enquanto acompanha as explicações sobre o cangaço e os acontecimentos de 1938.
Grota do Angico e a Rota do Cangaço
A Rota do Cangaço é uma das experiências turísticas mais conhecidas da região do Xingó.
O passeio combina a navegação pelo Rio São Francisco com a visita aos lugares relacionados à história de Lampião e seus companheiros.
A Grota do Angico é um dos pontos mais importantes desse roteiro. Durante a visita, turistas podem conhecer a área onde ocorreu a emboscada e compreender melhor a história que envolve Lampião, Maria Bonita, os cangaceiros e as forças policiais.
Para quem visita os Cânions do Xingó, conhecer a história da Grota do Angico é uma maneira de complementar o passeio pela região e entender melhor a cultura e a história do sertão do São Francisco.
Como visitar a Grota do Angico
A visita à Grota do Angico normalmente está associada aos passeios da Rota do Cangaço, realizados na região do Rio São Francisco.
O acesso envolve deslocamento até a área e uma caminhada pela trilha que leva à grota. Como as condições podem variar, especialmente durante períodos de chuva, é recomendável verificar previamente as condições de acesso e as orientações locais.
Para quem não conhece a região, fazer o passeio acompanhado por guia ou empresa especializada pode tornar a experiência mais segura e enriquecedora, principalmente pela quantidade de informações históricas relacionadas ao local.
O que conhecer próximo à Grota do Angico
A visita pode ser combinada com outros atrativos turísticos da região de Xingó, como:
Cânions do Xingó
Rio São Francisco
Piranhas
Canindé de São Francisco
Rota do Cangaço
Gruta do Talhado
Usina Hidrelétrica de Xingó
Museu de Arqueologia de Xingó
Essa combinação permite montar um roteiro que reúne natureza, história, cultura e passeios pelo Rio São Francisco.
Grota do Angico: um lugar marcado pela história
A Grota do Angico ocupa um lugar singular na história do Nordeste. Foi ali que, em 28 de julho de 1938, terminou a trajetória de Lampião, um dos personagens mais conhecidos e controversos do cangaço brasileiro.
A morte de Lampião e Maria Bonita transformou definitivamente aquele trecho do sertão sergipano em um lugar de memória.
Hoje, a área preservada da Grota do Angico permite que visitantes conheçam não apenas o cenário de um dos episódios mais marcantes do cangaço, mas também a paisagem da Caatinga e a cultura do sertão do Rio São Francisco.
Para quem está conhecendo o Xingó e o sertão de Sergipe, incluir a Grota do Angico no roteiro significa conhecer uma parte essencial da história da região.
Perguntas frequentes sobre a Grota do Angico
Onde fica a Grota do Angico?
A Grota do Angico fica no sertão de Sergipe, na região de Poço Redondo e próxima a Canindé de São Francisco, dentro do Monumento Natural Grota do Angico.
O que aconteceu na Grota do Angico?
Em 28 de julho de 1938, Lampião, Maria Bonita e outros nove integrantes de seu grupo foram mortos durante uma emboscada realizada por uma força policial de Alagoas.
Lampião morreu na Grota do Angico?
Sim. Lampião foi morto na emboscada de 28 de julho de 1938, juntamente com Maria Bonita e outros integrantes do bando.
A Grota do Angico pode ser visitada?
Sim. O local integra o Monumento Natural Grota do Angico e está associado a roteiros turísticos e à Rota do Cangaço.
A Grota do Angico fica perto dos Cânions do Xingó?
Sim. A Grota do Angico está na região turística de Xingó e pode fazer parte de roteiros que incluem o Rio São Francisco, Piranhas, Canindé de São Francisco e os Cânions do Xingó.








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