Rota do Cangaço: História de Lampião, Maria Bonita e a Grota do Angico
A Rota do Cangaço é um dos passeios históricos mais emocionantes do Nordeste brasileiro. Realizada às margens do Rio São Francisco, a experiência leva os visitantes até a Grota do Angico, local onde Virgulino Ferreira da Silva (Lampião), Maria Bonita e parte de seu bando foram mortos em 28 de julho de 1938.
Mais do que uma trilha pelo sertão, a Rota do Cangaço é uma verdadeira viagem pela história do Brasil. O passeio reúne natureza, cultura, aventura e memória, permitindo conhecer de perto o cenário de um dos acontecimentos mais marcantes do cangaço.
O que é a Rota do Cangaço?
A Rota do Cangaço é um passeio turístico e histórico realizado na região de Xingó, entre Sergipe e Alagoas.
O roteiro combina navegação pelo Rio São Francisco, caminhada pela vegetação da Caatinga e visita à Grota do Angico, local onde ocorreu o confronto que encerrou a trajetória de Lampião.
Durante o passeio, guias especializados — muitos vestidos com roupas típicas do cangaço — contam detalhes sobre a vida de Lampião, Maria Bonita, dos cangaceiros e das volantes que atuavam no sertão nordestino.
Onde fica a Rota do Cangaço?
O acesso ao passeio normalmente acontece a partir de Piranhas (AL) ou Canindé de São Francisco (SE).
Os visitantes embarcam em um catamarã ou embarcação turística para atravessar o Rio São Francisco até o município de Poço Redondo (SE), onde começa a trilha que leva à Grota do Angico.
Essa combinação entre passeio de barco e caminhada torna a experiência ainda mais especial.
Quem foi Lampião?
Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião, nasceu em Pernambuco e tornou-se o mais famoso líder do cangaço brasileiro.
Entre as décadas de 1920 e 1930, percorreu diversos estados do Nordeste, incluindo Sergipe, Alagoas, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Sua história desperta opiniões diferentes até hoje.
Para alguns, Lampião foi um criminoso responsável por saques, confrontos e assassinatos.
Para outros, tornou-se um símbolo da resistência sertaneja diante das dificuldades sociais e econômicas da época.
Independentemente das interpretações, Lampião permanece como uma das figuras históricas mais conhecidas do Brasil.
Maria Bonita
Maria Bonita foi a primeira mulher a integrar oficialmente um grupo de cangaceiros.
Sua presença mudou a dinâmica do cangaço, tornando-se uma das personagens mais conhecidas da história nordestina.
Ao lado de Lampião, participou durante anos da vida itinerante pelo sertão até morrer na Grota do Angico.
A Grota do Angico
A Grota do Angico está localizada no município de Poço Redondo (SE).
Foi nesse local que, na madrugada de 28 de julho de 1938, a volante comandada pelo tenente João Bezerra surpreendeu o acampamento de Lampião.
Durante o confronto morreram Lampião, Maria Bonita e parte do grupo de cangaceiros, encerrando um dos capítulos mais importantes da história do cangaço brasileiro.
Hoje, a Grota do Angico é considerada um importante patrimônio histórico e recebe milhares de visitantes todos os anos.
O soldado Adrião Pedro de Souza
Ao contar a história da Grota do Angico, é importante lembrar que o confronto não resultou apenas na morte de Lampião, Maria Bonita e parte do grupo de cangaceiros.
Durante a operação policial realizada pela volante comandada pelo tenente João Bezerra, o soldado Adrião Pedro de Souza também perdeu a vida no cumprimento do dever, tornando-se a única baixa entre os policiais durante a emboscada.
Por muitos anos, sua participação recebeu pouca atenção quando comparada à fama de Lampião. Atualmente, pesquisadores do cangaço reconhecem a importância de preservar também sua memória, destacando o papel desempenhado pelos homens das forças policiais naquele episódio histórico.
Na Grota do Angico existem homenagens que lembram todos os envolvidos no confronto, reforçando que a história do cangaço deve ser compreendida sob diferentes perspectivas.
Como é o passeio?
A experiência começa com uma agradável navegação pelo Rio São Francisco.
Durante o percurso é possível observar os paredões rochosos, a vegetação da Caatinga e belas paisagens do sertão nordestino.
Após o desembarque inicia-se uma caminhada de aproximadamente 1,7 quilômetro até a Grota do Angico.
Embora seja uma trilha considerada de baixa dificuldade, o calor da região exige alguns cuidados.
Recomenda-se utilizar:
Chapéu ou boné;
Protetor solar;
Roupas leves;
Calçados confortáveis;
Bastante água.
Ao longo do caminho os guias apresentam curiosidades sobre a vegetação, a história da região e os acontecimentos que marcaram o cangaço.
A experiência na Caatinga
Percorrer a trilha permite compreender melhor as dificuldades enfrentadas por cangaceiros e policiais.
A vegetação da Caatinga é formada por plantas espinhosas, arbustos resistentes à seca e árvores adaptadas ao clima semiárido.
O terreno é pedregoso, as temperaturas são elevadas e a sombra é limitada, fatores que influenciaram diretamente os confrontos ocorridos na região.
Essa experiência faz com que o visitante entenda como Lampião conseguiu permanecer tantos anos circulando pelo sertão.
O Rio São Francisco na Rota do Cangaço
O Rio São Francisco possui papel fundamental no passeio.
Além de proporcionar belas paisagens, ele foi durante séculos uma importante rota de transporte, comunicação e sobrevivência para as populações sertanejas.
Hoje, a travessia pelo Velho Chico é um dos momentos mais marcantes da visita.
Curiosidades sobre a Rota do Cangaço
A trilha possui aproximadamente 1,7 quilômetro.
O passeio combina barco e caminhada.
A Grota do Angico fica em Poço Redondo (SE).
Lampião morreu em 28 de julho de 1938.
Maria Bonita morreu no mesmo confronto.
O soldado Adrião Pedro de Souza foi a única baixa entre os policiais.
O passeio acontece em plena vegetação da Caatinga.
Guias caracterizados tornam a experiência ainda mais imersiva.
A travessia pelo Rio São Francisco faz parte do roteiro.
Vale a pena fazer a Rota do Cangaço?
Sim.
Para quem visita Xingó, a Rota do Cangaço oferece uma experiência diferente dos tradicionais passeios de natureza.
Além da beleza do Rio São Francisco, o visitante conhece um dos cenários históricos mais importantes do Brasil, entendendo melhor os acontecimentos que marcaram o sertão nordestino.
É um passeio que combina história, cultura, aventura e contemplação da natureza.
Conclusão
A Rota do Cangaço é muito mais do que uma simples trilha.
Ela representa um verdadeiro mergulho na história do sertão brasileiro, permitindo compreender a trajetória de Lampião, Maria Bonita, dos cangaceiros e das forças policiais que atuaram na região.
Ao caminhar pela Grota do Angico e percorrer as margens do Rio São Francisco, o visitante vivencia um dos capítulos mais marcantes da história nacional em um cenário de rara beleza natural.
Sem dúvida, trata-se de um dos passeios mais completos e emocionantes para quem visita a região de Xingó.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é a Rota do Cangaço?
É um passeio turístico e histórico que leva os visitantes até a Grota do Angico, onde Lampião, Maria Bonita e parte do bando morreram em 1938.
Onde fica a Rota do Cangaço?
O passeio acontece entre Piranhas (AL), Canindé de São Francisco (SE) e Poço Redondo (SE), às margens do Rio São Francisco.
Quanto mede a trilha?
A caminhada possui aproximadamente 1,7 quilômetro.
A trilha é difícil?
Não. É considerada de baixa dificuldade, mas exige atenção ao calor e hidratação.
Quem foi Lampião?
Lampião foi o mais famoso líder do cangaço brasileiro, atuando no Nordeste entre as décadas de 1920 e 1930.
Quem foi Adrião Pedro de Souza?
Foi o soldado da volante comandada pelo tenente João Bezerra que morreu durante o confronto na Grota do Angico, tornando-se a única baixa entre os policiais na operação de 28 de julho de 1938.
Qual a melhor época para visitar?
A Rota do Cangaço pode ser visitada durante todo o ano, sendo recomendável realizar o passeio nas primeiras horas da manhã para aproveitar temperaturas mais amenas.
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